No sucesso dos seus emigrantes.
Deixaram Portugal para vencer na vida, e saíram com a esperança de um dia mais tarde regressar. Nos anos 60 partiram em direcção a França onde se instalaram em barracas construídas por eles próprios, para a maioria nos arredores de Paris. Trabalharam muito, levaram uma vida das piores para sobreviver e ganhar dinheiro suficiente para sustentar as suas famílias e lhes oferecer melhores condições de vida. Viviam junto aos ratos, sem água potável, em cabanas degradadas, frias...
Tentaram organisar as suas vidas, mandaram vir as suas mulheres e alguns os seus filhos que tinham ficado em Portugal. Ficaram sempre com esperança de um dia ter uma vida melhor e nunca deixaram de acreditar que iriam conseguir, mesmo quando nem sempre foi fácil ou bom viver dessa forma e passar por tanta dor e sofrimento. Dor por estar longe de Portugal, longe da família e por ter de fazer tantos sacrifícios para vencer na vida mas tambem dor trazida pela percepção de um olhar desigual contido no admirar dos franceses.
Mas graças a Deus, os nossos avós foram recompensados e como resultado do muito trabalho e perseverança os seus sonhos foram realizados, conseguiram oferecer as suas famílias melhores condições, sempre no entanto, sem se esquecerem de quem são e donde vêm e de sempre terem orgulho na "gente do salto". Foi essa a educação que deram aos filhos, muitos dos quais já nascidos aqui.
Os anos passaram, e as coisas não mudaram muito. Nos anos 75, os Portugueses com alma de descobridores continuaram a emigrar, desta vez já de uma forma não clandestina, já não precisaram de emigrar com os passadores as escondidas da guarda civil, apos a revolução dos cravos do 25 de abril de 1974. E ao relembrar do passado duro que viveram os nossos antepassados que eu tenho ainda mais orgulho em ser quem sou e pertencer a este povo corajoso e forte que nunca desistiu.
" Nada vai mudar este amor "